Homosexualidade

Homossexualidade e amamentação, amor em cores

Homossexualidade e amamentação, o que podemos aprender em termos de amor e respeito ao outro?

Homossexualidade é um assunto que sempre causa polêmica. Sem duvidas, todas vocês que acompanham o Mãe de Leite, sabem da importância do aleitamento materno e de todas as demais temáticas que a página vem trazendo, pra que vocês possam se tornarem mães cada vez melhores, e para se tornar uma mãe ainda melhor, o tema LGBT não poderia ficar de fora dos assuntos abordados.

Ser gay ou lésbica não é fácil, por mais que a sociedade tenha evoluído (bem pouco), ainda existe um preconceito enorme conosco, não bastasse, em muitos casos, o preconceito acontece dentro da nossa própria casa, onde deveria haver um amor incondicional, independente de qualquer coisa.

Então mãe, você que tem ou pretende ter um filho/filha deve quebrar esse preconceito, afinal ninguém se torna gay, como tantos tentam afirmar, se nasce gay e uma mãe pode tornar essa luta muito mais fácil se ela estiver ao lado do seu filho/filha, afinal só queremos ter o direito de amar, sem ter que nos esconder por medo de sermos agredidos.

É um fato que todos nós temos algum preconceito, por mais desconstruídos que você seja sempre teremos algo que é passível de ser corrigido, então mãe, se em algum momento seu filho quiser brincar de boneca ou sua filha de carrinho, não os impeça, não existe brincadeira de menino e de menina, para os pequenos tudo é apenas diversão.

A mãe, é a ligação mais forte que um filho tem, digo isso por mim. Sou o filho mais novo de uma mãe solteira que sempre batalhou para termos uma boa estrutura, nunca tivemos ajuda do meu pai, eu sempre soube que era gay, desde sempre, mas não sabia realmente o que era aquela confusão de sentimentos e desejos “diferentes” dos que eu via a maioria das demais pessoas, ditas como “normais”.

“Perguntaram-me também se amamentar o filho ao seio pode interferir em sua sexualidade. Eu espero que sim. Todas as nossas peripécias sexuais derivam desse enamoramento dos pais por seus bebês.

Crianças que foram acolhidas, cuidadas, acarinhadas, que foram fonte de satisfação e júbilo para seus pais, certamente serão adultos que vivenciarão sua sexualidade de maneira mais satisfatória. Nos cuidados com o bebê, tudo é sexualidade. O contato do corpo a corpo, é sexualidade e afeto. Isso difere totalmente do coito genital, que é apenas uma das modalidades da prática sexual dos adultos. Digo isso, porque o coito genital deve ser resguardado apenas aos adultos e os bebês devem ser protegidos das vivências sexuais do casal.”
Bianca Martins

Fui crescendo e como é dito popularmente “entrando no armário”, pouquíssimas pessoas sabiam da minha sexualidade, e por não ter um dialogo sobre esse tema com minha mãe, até os 19 anos eu me mantive “escondido”, de certa forma, eu tinha medo de qual seria a reação dela, será que me aceitará como sou? Será que irá me rejeitar por não ser o filho que ela achava que eu sou? Será que serei expulso de casa? Pra onde eu irei se isso acontecer? A homossexualidade será sempre uma barreira?

Talvez você que esteja lendo isso pense: “esse garoto está fazendo muito drama” mas a realidade é realmente essa, tenho inúmeros amigos que sofrem por não terem coragem de se assumir, por saberem que se o fizerem serão a “aberração” da família, perderão o conforto de suas casas entre outras coisas e por mais que os pais deles sejam pessoas extremamente preconceituosas, eles os amam incondicionalmente, e não querem estragar essa relação que vem desde o nascimento, e em meio  toda essa confusão de sentimentos e incertezas, a única certeza que eu tinha naquele momento era que eu queria ser feliz.

Me apaixonei e no final do relacionamento fiquei arrasado e sem ninguém mais próximo com quem pudesse desabafar e contar pelo que estava passando. Minha mãe que sempre me conheceu muito bem, percebeu que eu não estava normal e que algo estava acontecendo comigo, mas como sempre, respeitou bastante minha individualidade e não me questionou por alguns dias.

Até que numa manhã, veio o meu quarto conversar, foi quando contei o que estava acontecendo, contei sobre minha sexualidade, conversamos muito, choramos, mas o mais importante foi ouvir dela que nada importava, que ela me amava e que queria a minha felicidade, foi a melhor coisa que ouvi de alguém em toda minha vida.

Temos um medo enorme de decepcionar ou desapontar nossos pais, e ainda mais de que eles nos odeiem, então um diálogo sobre sexualidade, por mais que seus  conceitos, religião ou qualquer outra coisa tentem impedir, ponha eles de lado e pense somente no amor pelo seu filho ou filha. Talvez ele ou ela não seja gay, mas vai crescer sabendo que existem formas de amor diferentes do “tradicional”.

E com essa atitude aberta, seus filhos vão saber que poderão se abrir e contar com você em todos os momentos difíceis que eles poderão enfrentar, mas que serão bem mais fáceis, se eles contarem com o apoio da mãe ao seu lado.

Hoje, eu e minha mãe, somos melhores amigos em tudo, conversamos sobre todo os assuntos, polêmicos ou não, sobre namorados, coisas que acontecem em nossas vidas e inclusive sobre sexo, coisa que antes de “sair do armário”, era praticamente um tabu para nós, posso afirmar, que contar para minha mãe da minha homossexualidade, foi a melhor coisa que aconteceu na nossa relação de mãe e filho.

Então mães, vocês são muito importantes em tudo para seus filhos, se você é uma mãe mente aberta, ótimo caso não seja ainda, ponha de lado o seus conceitos de religião e criação, e por um momento, tenha apenas o amor em mente ao ler e refletir sobre esse texto, talvez seu filho esteja precisando de você pra conversar e se entender melhor.

Não permita que ele se distancie de você, nem você dele por algo que foge da escolha dele, ninguém escolhe ser gay, é algo natural, é difícil lidar com a ideia no começo, assim como foi para minha mãe, mas quando você percebe que o amor vai além do homem e mulher, que o amor não tem sexo, raça, cor ou qualquer outra coisa que nos divida, você passa a entender o amor é igual para todos.

Fui amamentado, amado e cuidado pela Ducilene, uma mulher que me ensinou que em todas as etapas da maternidade é o desejo da mãe que deve prevalecer, é a escolha dela que deve ser atendida e que amor dela pode sarar as mais profundas feridas, mesmo que a gente seja mais alto que ela.

Felipe Vieira.

 

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