A cólica do bebê tem relação com a alimentação materna

A cólica do bebê tem relação com a alimentação materna?

A cólica é uma das maiores preocupações das mães de recém-nascidos, esta é por sua vez caracterizada pelo choro súbito, incessante e inconsolável, geralmente o bebê se estica, fica vermelho, vira a cabeça para os lados, as mãozinhas ficam fechadas e as pernas flexionadas, cessando por alguns instantes com a eliminação de gases, trazendo um alívio temporário.

O choro pode se prolongar por horas e como quase tudo na maternidade, principalmente se for de primeira viagem, traz uma sensação de frustração e até mesmo culpa para os pais e principalmente para as mães que muitas vezes se perguntam, será que foi algo que eu comi? Será que é fome? O que eu estou fazendo de errado?

A primeira coisa que tenho para te dizer é que a culpa não é sua. Ufa!

Agora, vamos entender o que é a cólica do lactente, a etiologia da cólica do lactente ainda não está completamente elucidada, no entanto, existem algumas hipóteses, dentre elas a imaturidade do trato gastrointestinal, afinal durante a gestação o feto recebe todos os nutrientes através do cordão umbilical e não necessita realizar o processo de digestão.

Outras causas apontadas podem estar relacionadas a alergia à proteína do leite de vaca, má absorção e refluxo gastroesofágico. Alguns autores sugerem ainda, uma incoordenação do sistema nervoso autônomo (responsável pelo controle e comunicação interna do organismo) e que a origem das cólicas é mais frequentemente emocional do que gastrointestinal.

E como ela surge?

A cólica do lactente surge geralmente na segunda semana de vida e cessa completamente entre o terceiro e o quarto mês de vida. A cólica é um diagnóstico clínico, muitas vezes de exclusão, quando bebês saudáveis, bem alimentados, com ganho de peso saudável e sem patologias apresentam choro forte, agudo e estridente. Atualmente o diagnóstico é realizado pelos critérios de Wessel também conhecido como “regra dos 3”: o choro dura mais de três horas, pelo menos três vezes na semana e dura por mais de três semanas.

Alguns estudos avaliaram os fatores associados a cólica do lactente e descobriram que o risco de desenvolver cólicas é maior nas crianças desmamadas do que naquelas que ainda são amamentadas (Mais um ponto para amamentação!), crianças que nasceram de parto cesariana apresentam maior risco de ter cólicas quando comparadas às nascidas por parto natural.

O ambiente familiar também contribui para o aparecimento da cólica, algumas pesquisas demonstram que a inexperiência dos pais, ansiedade, depressão, descontentamento com a vida sexual durante a gravidez, insegurança materna no momento do nascimento, aumentam os riscos de cólica do lactente.

Infelizmente, bebês amamentados exclusivamente no peito não estão protegidos da cólica, porém alguns estudos demonstram, que o pico do choro foi retardado por quatro semanas em bebês que receberam leite materno, quando comparado aos que receberam fórmula.

Bom, neste momento você deve estar pensando: O que isso tudo tem a ver, com a minha alimentação? Quais alimentos eu devo comer e quais alimentos eu devo evitar para que meu bebê não sofra com as cólicas?

Juro que eu queria te responder que é só não comer o alimento X e passar a consumir o alimento Y que as cólicas simplesmente desaparecerem, mas isso não é verdade, como tudo nesta vida, não existe fórmula mágica!

Como você pode observar no que foi descrito acima, a cólica do lactente é algo “normal” e faz parte do amadurecimento do trato gastrointestinal e do sistema nervoso do bebê. A maioria das pesquisas investiga a ingestão do leite de vaca pela nutriz e as reações cutâneas, respiratórias e gastrointestinais no bebê. Os resultados encontrados foram que a ingestão de leite de vaca pela mãe foi responsável por cerca de 1/3 das ocorrências de cólica do lactente.

E nestes casos a exclusão do leite de vaca da alimentação materna demonstrou melhora no quadro de manifestações no bebê. Outros estudos pesquisam a relação entre o consumo de vegetais crucíferos, como o repolho, couve-flor, brócolis, cebola e também sobre o consumo de pimenta e chocolate dentre outros.

Mas vale ressaltar, que são poucos os estudos que investigam a associação entre a alimentação materna e a cólica do bebê, e os que realizaram esta investigação possuem muitos erros metodológicos e não podem dar a palavra final sobre o assunto. O que posso dizer para vocês é que você deve observar sua alimentação e os sinais do seu bebê, se você percebe que quando consome determinado alimento seu bebê tem mais cólicas, procure evitá-lo, principalmente com relação ao leite de vaca, ovo e amendoim, pois estes alimentos podem causar alergias.

Mas que fique bem claro, que se o seu bebê não apresentar nenhuma alteração, você não deve evitar nenhum alimento, pois a restrição alimentar pode gerar mais ansiedade materna e este também é um fator de risco para as cólicas. Além disso, a restrição alimentar pode causar deficiências nutricionais. Por isso sempre busque orientação profissional, quando observar que os alimentos que você consome estão interferindo na saúde do seu filho e também na sua saúde mental, por que um bebê chorando por 3 horas é de deixar qualquer um maluco!

A realização de massagens circulares na barriga do bebê, assim como uma leve compressão com a elevação das pernas auxiliam na eliminação dos gases e diminuem o desconforto. No mais, mantenha a calma, dê muito peito, colo e carinho, a sensação de segurança deste momento fará com que tudo flua com mais tranquilidade.

Referencial teórico:

MURAHOVSCHI, J. Cólicas do lactente. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 79, n.2, p. 101-102, 2003.

SAAVEDRA, M. A. L.; COSTA, J. S. D. ; Garcias, G. ; Horta, B. L. ; Tomasi, E.; Mendonça, R. Incidência de cólica no lactente e fatores associados: um estudo de coorte. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 79, n.2, p. 115-122, 2003.

FERNANDES, T.F. Cólica do lactente – uma revisão abrangente sobre um tema repleto de incertezas. Pediatria Moderna, v. 42, n. 1, p. 17-23, 2006.

MORAIS, M.B. Signs and symptoms associated with digestive tract development. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 92, S. 3, p. S.46-56, 2016.

Cherubini, K. A. Associação entre alimentação materna e cólica em lactentes: uma revisão sistemática. TCC, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011.

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