Amamentar é para todos e rótulos são para produtos

Empoderar-se. É importante, principalmente, para não cair no conto de que “amamentar é para pobre.”

O que está por trás de um texto que expõe uma mãe que amamenta lindamente seu filho?

Desde que o Mãe de Leite surgiu para dar um novo sentido à minha vida, pude ver com clareza como é difícil viver essa dura jornada entre ser mãe e sobreviver diariamente a uma sociedade que nos impõe o que lhes convém. Para sermos boas mães, devemos seguir regras que muitas vezes estão completamente erradas.

Ao ler o texto em questão, pude perceber algumas coisas que não foram faladas, mas que podem ser sentidas. Muitas vezes nos indignamos com certas situações, mas as vezes é necessário nos colocarmos no lugar do opressor, nesse caso vejo uma mulher que não quis/não pôde amamentar e que por alguma razão se sente tão diminuída a ponto de achar que fator econômico é razão para se classificar uma mãe.

O opressor muitas vezes, é um oprimido, e nesse caso, não sabemos o que essa mulher passou, viveu ou se foi induzida a acreditar que uma fórmula poderia ser comparada com o leite materno.

Atacar essa mulher seria como devolver a opressão na mesma moeda, e nós do Mãe de Leite, estamos aqui para apoiar e empoderar a todas, inclusive quem acha que amamentar ainda é coisa ultrapassada. Somos um grupo de mulheres que acreditam na força, no amor, na grandiosidade e cumplicidade da amamentação, também somos mulheres que buscam apoiar umas as outras, para que ninguém precise acreditar que amamentar é uma ação arcaica.

Amamentar, além de ser ecológico, sustentável, saudável, preventivo contra câncer de mama e útero, o ato também é economicamente inteligente. E, por esse motivo, somos vistas como “pobres”, mas na realidade somos ricamente inteligentes, uma vez que contribuímos para a sustentabilidade do planeta, da saúde e pelo fato de não gerarmos lucro para empresas que nos veem como marionetes do consumo e propagam falácias que nunca poderão ser provadas.

Leite materno nunca poderá ser comparado a qualquer fórmula infantil, pois o leite materno é um alimento vivo, único e produzido na hora e na medida certa para cada bebê, já o da latinha nem sabemos o que de fato contém e de onde vem.

Que esse texto triste e sem nenhum fundamento possa nos levar a ver que estamos no caminho certo, que amamentar é sim a melhor escolha. Porém, devemos abraçar, cuidar e ter sororidade com quem achar que amamentar ainda é algo fora do padrão.

Ainda precisamos acolher quem defende o contrário, precisamos entender que nem todo mundo tem acesso à mesma informação e que, por isso, nós conhecedores dos benefícios da amamentação, temos a responsabilidade de agregar, de “empatizar” e fazer com que todos se apaixonem por esse ato de amor, para encararem a amamentação como um ato tão normal e necessário quanto respirar.


“Sororidade é entender que as engrenagens que me oprimem são as mesmas que o fazem com muitas outras pessoas e incluir mais vozes no meu grito, para que ele seja mais alto, mais efetivo, mais exigente, mais pungente, alcance mais ouvidos. É incluir. É dar voz. É respeitar. Rever privilégios.” (PIRES, 2013).

Vamos postar nossas fotos como forma de empoderamento, acolhimento, apoio a essa mãe que lindamente sabe que não existe pausa para o amor, que é possível amar e andar de bicicleta ao mesmo tempo, e para mostrar que é possível amamentar com apoio e sem julgamentos.
Que os rótulos sejam destinados a objetos e não a pessoas.

Referencial Teórico:
PIRES, Zaíra. Não se nasce mulher, torna-se. ‘Sobre transexualidade, feminismo interseccional e sororidade‘. Site: Blogueiras Negra. Dísponível em: < http://blogueirasnegras.org/2013/06/06/transexualidade-feminismo-interseccional-e-sororidade/>. Acesso:  15. Nov , 2015.

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Comments

August 13, 2016
[…] e julgar a outra? TODAS nós passamos por limitações! Ninguém está isento de um perrengue! Vamos para de rotular as pessoas? De tentar enquadrar todos e quem não se enquadra nesse padrão super rígido, fazemos o que?Foto […]

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