Como se libertar do círculo vicioso de auto-acusação

„Essas vozes eu conheço“-  Como se libertar do círculo vicioso de auto-acusações.


Esse texto, é a continuação de um outro texto fala sobre os auto-acusação e julgamentos que nós, mães (e muitos pais) costumamos fazer no nosso dia a dia. Como as acusações me prejudicam?

Se você não leu, aqui está ele: Como se libertar da auto-acusação materna.

Pois é, meu filho ainda não come. Não tenho nenhuma novidade pra vocês. Ah, tenho sim. BLW is a bitch! Além dele não comer, ele joga os mil pedacinhos de cenoura, macarrão, banana, pão, ou seja, todo o cardápio, pra fora da mesa. E a dona gravidade (que também é uma bitch), cuida do resto. Tá bom, estou exagerando.

Ele não come. Ele chupa, desintegra o alimento com a saliva, e então, joga no chão, o que faz grudar os pedacinhos em todas as superfícies por onde eles passam. Para completar, minha filha entra na cozinha, pisa nos famigerados pedacinhos, que se espalham pela casa – que tem dois andares.

Oooooooooooooommmmmmmmmmmmmmmmm!!!!!

Por que eu não saio correndo, pego um avião pra bem longe e peço pra me levarem pra ilha do LOST, da fantasia ou pra algum raio de ilha bem longe daqui? Auto-observação, auto-regulação.

E você?  Fez o experimento?

Se você usou as últimas semanas para se auto-observar, você talvez saiba onde seu círculo vicioso começa. Ele então segue com a reação cognitiva, sentimental e fisiológica, e num piscar de olhos, você esta dentro dele. Na maioria das vezes, ele continua circulando e aumentando, com pensamentos, sentimentos e sensações ainda mais intensivas, fazendo com que seu comportamento seja ainda mais extremo.

Res-pi-re. Pare e respire. Esse é o primeiro passo, quando você perceber que chegou a esse nível. Respire uma, duas, três vezes. Sinta o ar entrando no seu corpo, passando pelo seu tórax indo até a parte mais baixa da sua barriga e depois voltando. Pense no dedão do seu pé direito. Como você sente ele? Frio, quente, no chão, tencionado pra cima, apertado no sapato?

Respire e se concentre no seu dedão. Meio louco, né? Mas essa pode ser uma saída a curto prazo do seu círculo vicioso: limpar sua cabeça. E se sua cabeça quer pensar, que pense no seu dedão. E aí, um pouco melhor? Então, seguimos. Se concentre agora nos seus pensamentos.

O que eles te dizem? Estão te maltratando? Então observe esses pensamentos.

Não tente bani-los. Acredite em mim, eles voltam.

Só observe. Aha, então eu sou uma péssima, mãe.

Okay. Então, eu faço tudo errado. Okay.

Tente vê-los como em uma tela de cinema, e você está sentada na última cadeira da plateia, distante deles. E você vê como as letras estão cada vez mais diminuindo, cada vez menores, até que você mal pode vê-las. Esses pensamentos vão ficar lá, eles fazem parte de você. Mas agora, eles não são mais tão grandes e poderosos. E, talvez, você possa viver bem com eles assim, pequenininhos, por que dessa forma, eles não te deixam insegura.

E a sua reação fisiológica?

O que aconteceu com ela? Na maioria das vezes ela também diminui, junto com seu sentimento em relação à situação. Isso por que emoções, pensamentos e reações fisiológicas muitas vezes estão diretamente relacionadas. Observe suas reações sem julga-las. Só observe.

Então, seus problemas acabaram?

Não. O bebê continua sem comer, o chão continua sujo. Mas você muda. Ou melhor, o modo como você vê a situação muda. Se você se distancia desses pensamentos (ao invés de tentar evitá-los), eles não te acuam mais.

E seu bebê percebe isso. Ele percebe uma diferença grande entre a mãe tensa, por que o bebê não come e a mãe equilibrada emocionalmente, que acredita que cada bebê tem seu ritmo.

Então pare, respire, observe. E relaxe. Hoje, o mundo não acabou. E nada de auto- acusação.

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