Como se preparar para amamentar?

Apesar cada mulher ser um mundo isolado, com suas características e vivências, ainda se tem em mente que amamentar é algo automático e que acontecerá como um passe de mágica, e isso muitas vezes pode ser um problema, principalmente quando nos deparamos com a realidade e vemos que nem sempre acontece de forma tão automática.

É mais do que natural, quando perguntamos o que devemos fazer para nos preparar para amamentar, todas as mulheres a nossa volta, simplesmente nos metralharem com “conselhos” que mais nos confundem do que nos ajudam, um desses conselhos a essa pergunta é:” Você precisa preparar os mamilos: esfregue uma toalha ou uma bucha todas as vezes que tomar banho para que eles fiquem com a pele mais forte. ” Só que quanto mais você esfrega, mais sensível e danificado seu mamilo ficará.

“Os exercícios mamilares, a massagem e a expressão do colostro são contra-indicados pelo estímulo que podem provocar à liberação de ocitocina, mesmo hormônio que provoca contração uterina e que pode levar a abortamento ou trabalho de parto prematuro. Esta ´preparação´ dos mamilos também se mostra ineficaz na prevenção de rachaduras e feridas que podem ocorrer no início da amamentação, já que sabemos serem estas provenientes muito mais por erro na posição da boca do bebê no mamilo (pega incorreta) do que pela não preparação dos mesmos. ”

 José Dias Rego.

As pessoas esquecem que amamentar não é só dar leite. Leite qualquer pessoa pode dar, qualquer animal dá – inclusive a vaca, que é a principal fornecedora de matéria prima para as fórmulas infantis – e caímos no erro de pensar que amamentar é um ato mecânico, de hora e lugar marcado, de rotina rígida e dolorosa. E que, caso você não consiga, você vai ser a pior mãe do mundo, que foi a única culpada desse processo não ter dado certo e que não tentou o suficiente, porém sabemos que não é bem assim.

Se preparar para amamentar, antes de tudo, é entender que é um ato coletivo e que você precisa da ajuda de todos a sua volta. É saber que amamentar requer muito de nós: requer paciência até fazer a pega correta, requer entender que nem todo choro é fome, que ficar horas a fio sentada faz parte desse pacote. É, antes de tudo, preparar o coração, mente e corpo para não se desesperar na primeira dificuldade, entender a descida do leite pode demorar alguns dias (3 dias) e nem por isso seu bebê estará passando fome por que nesse período ele tem um leite chamado colostro que é tudo e tem tudo que seu filho precisa.

Avisar desde o começo da gravidez que precisará da ajuda do marido e da família, dividir as tarefas que cada um deve realizar no momento do puerpério, ser forte para recusar uma mamadeira de leite que não seja o seu, caso esse não for seu desejo e procurar ajuda em um banco de leite quando não se sentir segura.

Estar preparada para saber que, mesmo com a pega certinha e muito leite, o mamilo pode doer no começo. Mas se doer demais, fique alerta porque tem algo errado. Evite as famosas cascas de bananas, evite tudo que abafe os mamilos. Não precisa puxar ou passar bucha para fortalecer, eles foram fortalecidos e preparados durante a gravidez.

Outra questão muito importante, antes do bebê nascer: procure um pediatra e discuta com ele questões de amamentação como: “E se não ganhar peso, qual seria sua conduta?”  ” O que fazer se ele não fizer a pega correta?” “E se mesmo amamentando, ele ainda sentir fome?”. Fique atenta se ele disser “complemento”, você já sabe que nessa hora precisa correr dali! Fuja para as montanhas ou para um lugar que alguém entenda seu desejo de amamentar!

Caso ele diga  “Avaliar a pega, amamentar em livre demanda, entender o que está errado e corrigir para que dê certo e nem tocar em marcas de fórmula infantil, mamadeiras e chupetas”, dê um beijo nele e fique com ele e sejam felizes para sempre (no bom sentido, tá, meninas?).

Saber que você não está sozinha, quando tiver alguma dúvida, é fundamental nos primeiros dias de amamentação, então, tenha sempre a mão o número de um banco de leite, de uma consultora ou de um site de amamentação de sua confiança, pois uma ajuda eficiente e profissional nessas horas é crucial. Não espere muito, procure ajuda no primeiro desconforto que sentir.

Confie no seu corpo e no seu instinto materno, eles nunca falham!

Empodere-se, apaixone-se em planejar a amamentação assim como você está apaixonada planejando seu parto, seu enxoval e as cores do quarto do bebê, tudo é um processo que precisa ser vivido e entendido por você.

Desconfie sempre de um profissional de saúde que sugere fórmula como única solução e nunca tenha medo de buscar uma segunda opinião, e, quem sabe, até uma terceira. Se a opinião do médico não te deixa confortável busque outra. Esteja atenta para observar se as fontes que você busca por informações são sérias e se os profissionais são qualificados.  Despreze qualquer informação de empresas ou de pessoas ligadas à empresas ou marcas de alimentos infantis ou que possam se beneficiar do fato de você estar com dúvidas e acabar comprando um artigo por medo ou insegurança de não conseguir amamentar.

Caso você decida parar ou não queira amamentar desde o início, essa é uma decisão que só você pode tomar, e você precisa está ciente e consciente dessa decisão, as informações acima também são direcionadas a você, pois só cabe a você decidir o que é melhor para seu filho. A informação correta é um direito seu, e por esse motivo, não deixe que ninguém escolha por você que tipo de fórmula infantil é a melhor. Leia os rótulos, compare as tabelas nutricionais, fique atenta a cada faixa etária, pois essa é uma decisão que vai marcar a vida e a saúde do seu filho por toda a vida –  e por isso merece toda a sua atenção e seriedade.

Se preparar para amamentar, antes de mais nada, é estar informada sobre tudo e saber que esse momento pode sim ser prazeroso e um dos melhores de sua vida.

 

Referencial teórico: 

DIAS REGO, José. Aleitamento Materno: um guia para pais e familiares. P.42. 2.ed. São Paulo: Atheneu,2008.

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