Mãe de Leite

Duas filhas, 3 anos depois e uma nova mulher

Há exatamente 3 anos, você me deu a oportunidade de renascer, você me deu a oportunidade de acreditar em mim e na minha capacidade de quebrar todos os mitos que me rotularam durante muito tempo, e cada um desses rótulos era um peso a mais que eu precisava carregar.

Você me libertou, quando permitiu que eu seria tua mãe e quando me ensinou a resgatar a mulher que um dia eu deixei apagar, por medo, por insegurança e pela pressão de todos que me rodeavam, de todos que diziam que eu não era capaz de amamentar, que eu não produzia leite, que sua irmã chorava de fome e que a quantidade de leite que eu tirava não era suficiente.

Todos esses mitos, e o medo de fracassar mais uma vez como mãe, me fez ceder a um leite que não era o meu, a um modo de alimentar que também não era o meu e isso me dilacerava a cada vez que amamentava tua irmã, pois sabia que depois, aquele leite que eu não sabia ao certo de onde vinha, seria o mocinho e eu a vilã, por ainda tentar amamentar mesmo sem ter leite, diziam as pessoas.

Durante todo o tempo que eu enfrentava sozinha a batalha para amamentar, para sentir sua irmã no meu peito, nem que fosse por alguns minutos, ninguém nunca perguntou o que eu queria de verdade. Sim, e eu só amamentar, mas muitas foram as indicações, das mais variadas espécies para eu desmamar precocemente, e eu por medo, acreditei que era verdade e carreguei a culpa de não ter amamentado, a dor de não ter tentando o suficiente, de não ter acreditado em mim e no meu instinto, e de não ter tomado as rédeas do nosso momento.

Com a sua chegada, eu aprendi que eu era mais forte do que eu pensava ser, lutei contra todos os mitos, contra tudo que me fazia acreditar que eu não era capaz, você me ensinou a que a pega correta é um treino e que depende muito de nós duas e da nossa confiança uma na outra, me ensinou que cada bebê tem um ritmo, e que cada mãe também tem um. E também ensinar as pessoas que nos rodeiam a respeitar o nosso ritmo.

Você trouxe a mulher que um dia roubaram de mim, seguimos juntas, as três, lutando contra todas as indicações erradas, eu confiava em você e você confiava em mim e as três confiavam que eu podia acreditar nessa nova mulher que você  e sua irmã trouxeram ao nascerem, cada uma no seu tempo me ensinou que o amor não tem medida.

Também me mostraram o quanto a maternidade é recheada de solidão, as amigas mais próximas somem, não te convidam para um café, afinal, duas crianças chorando ninguém merece, foi o que eu ouvi algumas vezes. Aprendi com vocês duas que as pessoas se auto selecionam da nossa vida, e quem não ficou por aqui quando eu precisei de colo, não estava preparado para entender que as mães também choram, baixinho e silenciosamente, mas choram, choram por que ninguém quer ouvir que elas estão cansadas, ou que elas precisam de um tempinho para elas, e as amigas que se foram, eu digo: Eu entendo, a vida levou quem não estava preparado para ficar.

Seis meses se passaram, não foi fácil, eu cuidava de você e da sua irmã, maior parte do tempo sozinha, mas nós três seguimos em frente e o papai era nosso porto seguro sempre que algo dava errado ou quando eu estava cansada demais. Longe de tudo e de todos, seguimos mais uma vez, nos amando e unidos a cada dificuldade.

Seguimos e seguimos, seguimos até hoje, 3 anos de amamentação, três anos de muito orgulho da mulher que você me permitiu reviver e da mãe que você me permitiu ser, obrigada por esses três anos juntas, obrigada por esses três anos de amor e obrigada por tudo que você nos ensina. Eu, papai, sua irmã e Lilly amamos você.

E vamos seguindo, até o dia que você não quiser mais o seu tetê.

Feliz aniversário meu amor!

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