Prematuros conseguem ser amamentados?

Prematuros conseguem ser amamentados?

Prematuros conseguem ser amamentados? Prematuros precisam mesmo de fórmula? 

Um dos mitos que mais rondam a amamentação, é o que diz que bebês prematuros ou com peso baixo não ganham peso satisfatoriamente apenas com o leite materno, isso não é verdade. O leite materno, é perfeitamente capaz de suprir todas as necessidades do bebê até os seis meses e, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) deve ser oferecido ao bebê até dois anos ou mais, para garantir saúde para toda a vida.

Nessa foto, Sarah e Luiz Fabrício estavam com 20 dias.

Vamos contar agora uma linda história de superação e vitória, da nossa querida Louise Procopio. Ela é mãe de três lindas crianças: Samuel de 3 anos e 9 meses e os gêmeos Luiz Fabricio e Sarah de 6 meses.

Louise sempre muito favorável a amamentação, amamentou seu filho mais velho durante 2 anos e 9 meses. Quando descobriu a gestação de gêmeos. Conta que ficou imaginando como conseguiria amamentar duas crianças ao mesmo tempo, mas em sua mente sempre esteve a certeza de que conseguiria amamentar. A gestação estava prevista para meados de junho, porém, devido a intercorrências, Louise entrou em trabalho de parto prematuro, com apenas 33 semanas de gestação, por conta da ruptura da bolsa de um dos gêmeos.

Além de ter conseguido ter seus gêmeos em um parto normal respeitoso, Louise agora tinha mais alguns obstáculos para vencer, os dois bebês foram para a UTI neonatal e nasceram com peso inferior a 2kg.

Ela conta que o início da amamentação foi muito difícil.

“Eu pedia para que me deixassem ordenhar e oferecer o colostro para meus filhos pela sonda porém quando enfim me ofereceram uma bombinha para que eu pudesse estimular o seio, a enfermeira desprezou o colostro dizendo ser muito pouco” – conta.

Após muita insistência, Louise conseguiu o consentimento das enfermeiras, para que oferecessem o pouco colostro que saía para os bebês, através da sonda.

Mesmo sendo lei a permanência contínua de mãe e bebê, a maternidade onde os gêmeos nasceram restringia a visita á UTI em 3 vezes ao dia.

“Todos os dias, as 3 vezes que eu podia ver meus bebês, eu pedia para que retirassem a sonda para que eu pudesse tentar amamentar eles e a resposta era sempre a mesma: eles são muito prematuros ainda, não sabem sugar.”

Mas ela não desistiu. Com 3 dias de vida ela decidiu solicitar intervenção do pediatra, que acompanhou o nascimento dos gêmeos para que pudesse ao menos ter a oportunidade de tentar amamentar um dos gêmeos, o Luiz, que nasceu em condições melhores que sua irmãzinha. E toda essa insistência foi positiva, pois com a autorização do pediatra, Luiz começou a mamar com seus 3 dias de vida. Ela conta que seu menininho ganhou alta apenas 3 dias depois, mamando no seio muito bem.

Já para amamentar Sarah, ela encontrou uma resistência maior, pois ela nasceu mais fraquinha que seu irmão e precisou de estímulos, por parte da fonoaudiologia da maternidade, para que pudesse desenvolver seu estímulo de sucção. Ela foi ao seio materno apenas com 5 dias de vida.

A caminhada não foi fácil para essa mãe. Emocionada, ela conta como foi levar apenas um filho para casa e deixar sua menina na UTI e sua luta para amamentar:

“Eu ordenhava, colocava o Luiz mamar no outro seio, ordenhava mais um pouco e saía correndo para levar o leite para a Sarah na UTI e amamentá-la 3 vezes ao dia, mas ela sugava muito fraco. Eu chegava a ordenhar na boca dela para que ela tomasse o meu leite, podia ver o sorriso de satisfação no rosto da minha filha. Com 11 dias ela recebeu alta, foi bem no dia das mães. ”

Assim que Sarah ganhou alta, Louise não perdeu tempo. Foi ao banco de leite do Hospital Evangélico de Curitiba, onde há uma equipe capacitada para atender todos os tipos de intercorrências com a amamentação, e lá foi muito bem orientada. Identificaram que a sucção da Sarinha realmente era mais fraca, que ela se cansava mais rápido e que ela não conseguia extrair leite o suficiente. Então Louise foi orientada a amamentar e ordenhar o seu próprio leite e oferecer no copinho para a bebê menor.

Dentro de toda essa maratona de ordenha e amamentação, Louise acabou contraindo cândida nos dois seios e sentia muitas dores, conta que foi um período muito difícil para ela.

“Quando eu tive cândida eu sentia muita dor, não conseguia mais. Foi quando acabei dando mamadeira e chupeta, mesmo sabendo que estava errado e que poderia prejudicar a amamentação, mas eu precisava fazer isso para a dor aliviar pelo menos um pouco. Eu tive cândida recorrente e foi um desespero porque quando estava sarando, piorava de novo, mas eu nunca parei de amamentar. Quando enfim eu consegui acabar com os episódios de cândida de uma vez eu arranquei a chupeta e disse chega, eu não preciso mais disso.”

A candidíase mamária, é um fungo que se prolifera no mamilo por ser um local abafado e úmido e causa muito desconforto e dor. Chupetas e mamadeiras são desaconselhadas, pois, podem prejudicar a amamentação, fazendo com que a pega fique incorreta, porém no desespero de uma mãe de gêmeos com candidíase mamária e muita dor, ela optou naquele momento para realmente não desistir de amamentar.

“Vale a pena, vale muito a pena. É gratificante. Faço cama compartilhada e eles mamam durante a noite, viro para um lado e amamento, viro para o outro e amamento! Então praticamente não durmo, né?  Mas estou garantindo que eles estão mamando, que eles estão fortes e que eles vão crescer bem!”

Histórias como essa, são de grande incentivo para mães de prematuros. É sim possível amamentar um bebê prematuro ou baixo peso.

Gostaria de parabenizar a Louise, que nunca desistiu e foi forte desde o início, a todos os envolvidos na rede de apoio – que é extremamente importante em todo o processo de amamentação e ao Banco de Leite do Hospital Evangélico de Curitiba que sempre desempenha um trabalho de excelência em prol da lactância.

Precisa de ajuda? Tem dúvidas com relação a amamentação? Procure a equipe Mãe de Leite.

Andressa Kern Bassi.
Estudante de fonoaudiologia e consultora de amamentação.

Artigo escrito para o projeto “Mãe de Leite” sobre o Dia da Prematuridade.

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Comments

November 30, 2016
[…] Prematuros conseguem ser amamentados? […]

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