intolerância a lactose e alergia à APLV

Qual a diferença entre intolerância a lactose e APLV?

Antes de explicar a diferença entre intolerância a lactose e a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) precisamos entender alguns conceitos.

A ingestão de alimentos ou aditivos alimentares, podem desencadear diversas reações adversas no organismo humano. Estas reações podem ser classificadas em tóxicas e não tóxicas. As tóxicas, dependem exclusivamente da substância ingerida (alimentos contaminados) ou das propriedades farmacológicas de alguns alimentos (cafeína no café e tiramina em queijos maturados). Já as reações não tóxicas, dependem da suscetibilidade do indivíduo e podem ser classificadas em dois grupos, aquelas que não dependem do sistema imune vamos chamar de intolerância alimentar e aquelas que geram uma resposta imunológica vamos chamar de alergia alimentar.

Intolerância a Lactose.

A lactose, é um tipo de carboidrato presente naturalmente em todos os tipos de leite, seja no leite materno, de vaca ou de outros mamíferos. A lactose, é um dissacarídeo, formado pela junção de dois açúcares simples: GLICOSE +GALACTOSE.

Para ser absorvida no nosso intestino, a lactose precisa ser hidrolisada por uma enzima chamada lactase, sendo esta responsável pela quebra da lactose em GLICOSE + GALACTOSE. A intolerância a lactose ocorre quando existe a deficiência ou ausência da enzima lactase, impossibilitando a adequada digestão e absorção da lactose.

Existem três tipos de intolerância a lactose:

  • Intolerância a lactose genética ou congênita: manifesta-se no recém- nascido e é permanente, ou seja, devido a uma alteração do DNA o organismo não é capaz de produzir a enzima lactase. Esta é uma das poucas situações em que se recomenda a suspensão do aleitamento materno e substituição por fórmula artificial isenta de lactose. Pois o leite materno possui aproximadamente 7g de lactose em 100mL de leite humano. A boa notícia é que esses casos são raros, sua incidência é de 1:60000 indivíduos.
  • Intolerância a lactose primária: Após o desmame ocorre uma diminuição programada e irreversível da atividade da lactase, no entanto, ela ocorre de forma lenta e gradual. Por isso apenas alguns indivíduos mais predispostos apresentarão os sintomas característicos que veremos mais a frente.
  •  Intolerância a lactose secundária: Ocorre, geralmente, após algum dano na mucosa intestinal, como as enterites, doença celíaca, doença inflamatória intestinal, dentre outras. Mas, diferente da intolerância primária esta é transitória e reversível assim que ocorra a reconstituição da mucosa intestinal.

Sintomas da Intolerância a Lactose.

Devido à ausência ou deficiência da enzima lactase, a lactose passa intacta pelo intestino delgado e se acumula no cólon, onde será fermentada pelos microrganismos constituintes da microbiota intestinal.

Esta fermentação, resulta na formação de gases gerando flatulência, dores abdominais, sensação de plenitude gástrica, diarreia, borborigmos (barulho estomacal) e em alguns casos vômitos.

Alergia à Proteína do Leite de Vaca.

A alergia alimentar, caracteriza-se por uma reação adversa dependente de intervenção imunológica, desencadeada por uma proteína, provocando a liberação de agentes defensivos.

As proteínas do leite de vaca com maior poder alergênico são: a caseína, α-Lactoalbumina, β-Lactoalbumina, globulina e albumina sérica bovina.

A alergia à proteína do leite de vaca também pode ser dividida em três tipos:

  •  Mediadas por IgE: são de fácil diagnóstico, pois os sintomas se apresentam rapidamente, geralmente dentro de 30 minutos após o consumo do alimento, além da formação de anticorpos específicos da classe IgE que podem ser facilmente identificados por exame de sangue.
  •  Não mediadas por IgE: Os sintomas se apresentam tardiamente, podendo ser horas ou até dias após o consumo do leite.
  •  Reações Mistas (mediadas por IgE e células): Neste grupo estão incluídas manifestações mediadas por IgE, com participação e de linfócito T e citocinas pró-inflamtórias.

Veja no quadro abaixo os sintomas mais comuns de cada tipo de alergia a proteína do leite de vaca:

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A APLV, assim como outras alergias alimentares, são mais comuns em crianças, podem ser duradouras e algumas vezes por toda a vida. O tratamento para APLV é essencialmente nutricional, com exclusão total de leites e derivados.

As proteínas do leite de vaca, são transmitidas da mãe para o bebê através do leite materno, por isso a mãe dos bebês amamentados deve seguir a dieta de exclusão de leites e derivados acompanhada de correta orientação nutricional para ela e para a criança, quando iniciada a introdução alimentar. Caso o bebê não esteja sendo amamentado e não seja possível a relactação, preconiza-se a oferta de fórmulas hipoalergênicas.

           Resumindo:

A intolerância a lactose caracteriza-se pela deficiência da enzima lactase, responsável pela digestão do carboidrato lactose. Enquanto que a alergia à proteína do leite de vaca como o próprio nome já diz, se relaciona com as proteínas presentes no leite. Com relação à amamentação, apenas a intolerância a lactose congênita (muito rara) impede a continuidade do aleitamento materno.

Atenção: as informações contidas nesse artigo, não anulam a orientação médica ou de um(a) nutricionista, qualquer dúvida, procure ajuda de um profissional presencial.

Referencial teórico:

Bauermann A, Santos ZDA. Artigo Original / Original Article: Conhecimento sobre intolerância à lactose entre nutricionistas. Sci Med (Porto Alegre). 2013;23(1):22–7.

MATTAR, R.; MAZO, D. F.de C. Intolerância à Lactose: mudança de paradigmas com a biologia molecular. Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 56, n. 2, p. 230- 236, 2010.

Oliveira, Vanísia Cordeiro Dias. Alergia à proteína do leite de vaca e intolerância à lactose: abordagem nutricional e percepções dos profissionais da área de saúde. Programa de Mestrado Profissional em Ciência e Tecnologia do Leite e Derivados. Universidade Federal de Juiz de Fora. Juiz de Fora, 2013.

Solé, D.; Silva, L.R.; Filho, N.A.R.; Sarni, R.O.S. Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar. 2007. Rev. Méd. Minas Gerais, 18 (1 Supl 1): S1-S44, 2008.

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