Quem é a Doula e qual o seu papel no parto?

Doula é uma figura feminina que tem se feito muito presente em relatos e vídeos de partos, está sempre por perto ou em contato com a gestante. Ela, na verdade, representa uma categoria. Elas são as Doulas.

Essa palavra, ainda estranha, tem se tornado muito comum nas rodas de gestantes e grupos nas redes sociais. Mas, afinal de contas, quem são e o que elas fazem?

A palavra Doula é de origem grega e significa “mulher que serve”. O papel desempenhado, hoje profissionalmente, é o resgate dos vínculos femininos de atenção, amparo e cuidado com as gestantes/parturientes/puérperas.

O suporte oferecido pela Doula, inicia-se tão logo seja estabelecido esse contato profissional com a gestante. Algumas mulheres vão procurar por uma Doula no fim da gestação, outras já colocam essa busca como uma das primeiras tarefas da nova lista de afazeres na gestação. No entanto, esse tempo só vai incidir nos momentos que ambas vão ter para estabelecer um vínculo de afetividade e confiança.

O papel da Doula, durante a gestação, é de dar todo e qualquer suporte emocional e de informações que a gestante solicitar e que forem necessárias para a construção de seu entendimento sobre o processo fisiológico da gestação e do parto.

Cada profissional vai estabelecer sua forma de trabalhar, mas geralmente as Doulas fazem encontros durante a gestação para conversar com a mulher ou com o casal (as vezes com a família toda) sobre a fisiologia do trabalho de parto; sobre os procedimentos hospitalares; os aspectos emocionais que podem influenciar no trabalho de parto, auxiliando para que essa mulher possa fazer suas escolhas de forma informada.

Durante o trabalho de parto, o papel da Doula é de suporte emocional. Ela, com sua presença contínua e palavras de encorajamento, carinho e apoio, terá um olhar atento às necessidades da gestante, auxiliando-a a manter o ambiente o mais tranquilo e seguro possível e acompanhando a evolução do trabalho de parto pelas transformações corporais e comportamentais dessa mulher.

A Doula poderá oferecer formas não farmacológicas de alívio da dor, como massagens, banhos e compressas quentes, orientando posições que possam oferecer alívio e evolução. O uso de aromas e ervas que tranquilizem ou estimulem o corpo e outros tantos segredos que vão dentro daquelas bolsas enormes que elas carregam.

O acompanhamento da Doula, será de total atenção às necessidades de cada mulher atendida, compreendendo as individualidades e a história de vida de cada uma.

Estudos publicados em 1993 por Klaus e Kennel, mostram que a presença da Doula no cenário do parto influenciam nos resultados de redução dos índices de cesáreas; na diminuição do tempo do trabalho de parto; na redução do uso de analgesia; na redução do uso de ocitocina e fórceps.

Estudos demonstraram também, que a presença da Doula repercute nos primeiros cuidados com o bebê; no sucesso da amamentação; na interação entre mãe e bebê; na satisfação com o parto; redução da incidência da depressão pós-parto e na diminuição dos estados de ansiedade e baixa autoestima pós-parto.

A Doula, porém, não realiza procedimentos técnicos como ausculta de batimento cardíaco fetal, aferição de pressão arterial, toque vaginal, aplicação ou orientação de medicamentos, leitura e diagnóstico de exames e também não cabe à Doula, discutir procedimentos e rotinas com a equipe de assistência ao parto.

A maioria das Doulas realizou um curso preparatório, que são promovidos por grupos que entendem a importância do processo contínuo de formação teórico vivencial. No entanto, não é necessário ter formação específica para desempenhar o papel de Doula.

Enquadrado em 2014 no Código Brasileiro de Ocupações – CBO, a profissão ainda não conta com regulamentação.

Muito embora não haja uma entidade de regulação da atuação das Doulas, há um grande consenso nos quesitos éticos da profissão, ficando bastante claro o papel da categoria e aquilo que não compete à ação profissional das Doulas.

Atualmente, essa profissão vem assumindo um importante espaço no cenário da assistência ao parto, amparo às mulheres e famílias. Por isso, é importante conhecer um pouco mais sobre o seu papel para não transferir para as Doulas a sua responsabilidade no processo e também não permitir que ninguém lhe roube o protagonismo do seu parto.

Referencial teórico:

FADYNHA. “A doula no parto: o papel da acompanhante no parto especialmente treinada para oferecer apoio contínuo físico e emocional à parturiente.” São Paulo. Ed Ground,2003.

Klaus M., Kennel J. “Mothering the mother: how a doula can help you to have a shorter, easier and healthier birth.” Hardcover.

Nogueira A. T. (org) “Guia da doula parto”. São Paulo. Ed. Biblioteca 24horas, 2010.

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